Ecra de computador com lista de clientes a ser importada de um ficheiro CSV

Migrar de Outro Software? Como Importar os Teus Clientes sem Perder Dados

6 de julho de 2026·Equipa Bookmais·Gestão

O medo de mudar de software

"E se perco os meus clientes?" É a pergunta que mais trava a mudança de software de marcações. Depois de meses ou anos a construir uma base de clientes — nomes, telefones, emails, histórico — ninguém quer começar do zero.

A boa notícia: a maioria dos softwares permite exportar os dados dos clientes. E importá-los para um novo sistema é mais simples do que parece.

Passo 1: Exportar do sistema antigo

Quase todos os softwares de marcações permitem exportar a lista de clientes em formato CSV ou Excel. Procura nas definições uma opção como "Exportar clientes", "Download CSV" ou "Relatório de clientes".

De onde exportar

  • Buk — Clientes → Exportar (CSV)
  • Fresha — Clientes → Exportar lista
  • Booksy — Clientes → Descarregar
  • Folha de cálculo própria — já tens o ficheiro, basta organizá-lo

O que deve conter o ficheiro

No mínimo:

  • Nome (completo ou primeiro + último)
  • Telefone (com indicativo — +351)
  • Email

Dados extras úteis:

  • Data de nascimento
  • Notas ou observações
  • Profissional preferido
  • Última visita

Se o sistema antigo não exporta algum destes campos, não te preocupes — podes adicioná-los depois.

Passo 2: Preparar o ficheiro

O ficheiro CSV é um ficheiro de texto simples com os dados separados por vírgulas (ou ponto e vírgula). Antes de importar, vale a pena limpar:

Verificar duplicados

O mesmo cliente pode estar registado com nomes ligeiramente diferentes ("Maria Silva" e "Maria J. Silva") ou com dois números de telefone. Remove duplicados antes de importar.

Formatar telefones

Garante que os números de telefone estão num formato consistente. O ideal é com indicativo internacional: +351912345678. Sem espaços, sem parênteses.

Verificar emails

Remove emails inválidos ou claramente falsos ("teste@teste.com", "nao@tem.email"). Um email inválido pode causar bounces nos emails de confirmação.

Codificação do ficheiro

Se o ficheiro tem caracteres portugueses (ã, ç, é), garante que está em UTF-8. Muitos programas de folha de cálculo gravam em formatos antigos que estragam os acentos.

No Excel: ao gravar, escolhe "CSV UTF-8" em vez de "CSV".

No Google Sheets: Ficheiro → Transferir → CSV (já grava em UTF-8).

Passo 3: Importar para o novo software

Com pré-visualização

Os melhores sistemas mostram-te uma pré-visualização antes de importar: vês os dados que vão ser importados, os campos que foram reconhecidos e os eventuais erros. Isto permite corrigir antes de confirmar.

Mapeamento de campos

O sistema pede-te para associar cada coluna do CSV a um campo do sistema. "Coluna A = Nome", "Coluna B = Telefone", "Coluna C = Email". Se os nomes das colunas forem iguais, o mapeamento pode ser automático.

Importação e resultado

Confirmas, o sistema importa e mostra um resumo: "150 clientes importados, 3 com erro (telefone inválido)". Corriges os 3 e está feito.

O que acontece ao histórico

A grande limitação da maioria das migrações: o histórico de marcações não migra. Podes importar os clientes (nomes, contactos, notas), mas as marcações passadas ficam no sistema antigo.

Isto é normal. O mais importante é que os contactos e as notas dos clientes estejam no novo sistema. O histórico de marcações é referência — o que importa é o futuro.

Se precisas de manter acesso ao histórico, a maioria dos softwares permite-te manter a conta antiga em modo de leitura (sem pagar) durante algum tempo. Confirma com o fornecedor.

Armadilhas a evitar

1. Não apagar o sistema antigo logo

Mantém o acesso ao sistema antigo durante pelo menos 1 mês após a migração. Se faltar algum dado, ainda consegues ir buscar.

2. Não importar lixo

Clientes que não vêm há 2 anos, contactos de teste, duplicados — limpa antes de importar. A base de clientes do novo sistema deve ser limpa desde o primeiro dia.

3. Não esquecer as notas

Se tens notas importantes sobre clientes (alergias, preferências, reclamações), garante que essas notas vão no CSV. São o contexto que nenhum software gera automaticamente.

4. Não fazer sozinho se não tens confiança

Se a tecnologia não é o teu forte, pede ajuda. Ao fornecedor do novo software, a um amigo ou a alguém da equipa. Uma importação mal feita gera mais trabalho do que uma importação bem feita.

Caso real: migrar 500 clientes

A Joana tem um salão com 500 clientes no software antigo. Decidiu mudar porque o software não tinha lembretes e cobrava comissões.

  1. Exportou a lista de clientes em CSV (nome, telefone, email, notas)
  2. Limpou 40 duplicados e 15 emails inválidos
  3. Importou para o novo sistema — 445 clientes importados sem erro
  4. Verificou 5 fichas manualmente (clientes VIP com notas detalhadas)
  5. Resultado: em 30 minutos, a base de clientes estava migrada

Os clientes não notaram a mudança de software. Continuaram a receber confirmações, lembretes e a marcar normalmente — só que agora pelo novo link.

RGPD: os dados são teus

Um ponto importante: ao abrigo do RGPD, tens o direito de exportar os dados dos teus clientes de qualquer software. É o chamado direito à portabilidade dos dados.

Se o fornecedor antigo dificultar a exportação, lembra-lhe que estás no teu direito. Os dados dos clientes do teu negócio são teus — não do software.

O resultado

Migrar de software não significa perder clientes. Com um ficheiro CSV limpo e um sistema que permita importação com pré-visualização, a transição demora menos de uma hora. O mais importante é dar o passo — o medo de perder dados não deve prender-te a um software que já não te serve.

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